A pesada carga tributária brasileira se faz sentir principalmente nos primeiros meses do ano.
A cobrança do IPVA, entre janeiro e março, o IR, logo nos meses seguintes, além do IPTU e dos demais impostos, sem cara e com nome, que pagamos cotidianamente, ou camuflados no preço dos produtos que consumimos ou descontados de nossos holerites.
Ainda assim, todo brasileiro que quiser, nos dias atuais, saúde, educação ou segurança de qualidade, acaba tendo que recorrer à iniciativa privada, contratando pela segunda vez serviços que na primeira contratação, dos órgãos públicos, através dos impostos, não lhe foi fornecido.
Quantos brasileiros honestos, trabalhadores, pagadores de impostos e com título de eleitor em dia, não recorre mensalmente à planos de saúde, instituições de ensino privadas, segurança particular ou dividida com os vizinhos, além de pagar pedágio nas rodovias? Dessa forma, não apenas perdemos a crença na capacidade de atuação do poder público, como ainda somos tentados a justificar um erro com outro, “desculpando” a sonegação fiscal pela lógica da “falta de retorno”.
Afinal, os impostos são pagos para que tenhamos acesso à serviços públicos fundamentais mas, se não os temos, procuramos pagar pelos mesmos serviços em outro “fornecedor”, mas não somos, ou somos muito pouco, aliviados de nossos impostos em função disto.
Dessa maneira, contratamos o referido serviço em duas instâncias, pública e privada, recebendo o mesmo apenas no segundo caso.
Erra quem acredita no “clichê” que afirma que o Brasil é o país que mais cobra impostos no mundo. Alguns outros cobram muito mais. A diferença é que, em muitos deles, como a Suíça ou o Canadá, o cidadão paga seus impostos com satisfação, pois sabe que, diante da qualidade do serviço público em alguns setores, a iniciativa privada nem se arrisca a entrar na concorrência. Ao contrário do que acontece aqui, quando a iniciativa privada tem toda a possibilidade de ocupar os espaços que não são preenchidos pelo poder público.
Será por acaso?
quarta-feira, 16 de janeiro de 2008
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