A América Latina, desde o final da Guerra-Fria - que opunha os blocos capitalista e comunista em uma disputa geopolítica e imperialista liderada de um lado pelos EUA e, de outro, pela URSS - não via a atuação direta dos chamados “gorilas” resultar em golpes de Estado com o apoio do exército serem bem sucedidos na subversão da ordem democrática, como está sendo o caso, nas últimas semanas, de Honduras.
Brasil, Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, assim como diversos países da América Central, com maior ou menor intensidade, viveram golpes e ditaduras militares nos anos 60, 70 e 80, alguns até os 90, dentro de um contexto geopolítico internacional que, ainda que não justifique, embasava a medida ideologicamente. Mas esse tempo, felizmente, já passou, ou parecia já ter passado, até que movimentações na Venezuela e, geralmente, em seus aliados, reacenderam no continente a chama do revanchismo e do golpismo, prejudicando os projetos de integração política, econômica e de infraestrutura na América Latina.
O argumento usado pelos opositores em Honduras é a tentativa do presidente deposto de alterar a constituição do país através de um plebiscito. Já o governo deposto argumenta que, através do plebiscito, seriam legitimadas democraticamente as alterações constitucionais.
Sem entrar no mérito da questão de forma parcial, ambos os lados atentam contra a lei. Um, por querer legitimar suas ações através de uma possível “onda plebiscitária”. O outro, por não aceitar ouvir as vozes das ruas, do povo, que, em última análise, deveria ser o agente principal em qualquer regime democrático.
O mais sensato seria que ambos os lados agissem dentro da lei vigente, respeitando as normas políticas instituídas e, para o caso de reformas, fazê-las dentro da legalidade e através de um amplo debate com a sociedade civil e seus representantes, antes mesmo da realização de qualquer plebiscito ou, mais ainda, de um golpe.
A comunidade internacional espera que os problemas da região sejam resolvidos sem traumas profundos e sem despertar, no nosso já sofrido continente, a tradição, aparentemente dormente, de intervenções armadas ou ilegais contra governos eleitos.
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