A tendência dos meios de comunicação dos EUA e do mundo, principalmente os telejornais e os jornais impressos, em suas análises editoriais e redatoriais, de comparar o hoje empossado Obama à presidentes como Abraham Lincoln e John Kennedy, ainda que nem sempre seja honesta ou justa, principalmente quando se trata de Kennedy, o cara que iniciou a Guerra do Vietnã e quase possibilitou a (real) hecatombe nuclear, tem três características positivas.
A primeira é resgatar a memória do mais esquerdista presidente da história americana. Lincoln, além de tirar da elite latifundiária do país qualquer chance de manter os EUA na plantation (morram de inveja FHC e Lula), proteger a indústria nacional e abolir a escravidão, manteve o país unido em tempos geopoliticamente conturbados lá, aqui, na Europa e na Ásia/África colonial, ao mesmo tempo em que fez uma maciça reforma-agrária, o que lhe valeu até a pecha de comunista, nos primórdios da ideologia (deixemos por hora de lado o fato de que foi assassinado).
A segunda é buscar dar legitimidade ao primeiro presidente negro do país, já que, nos EUA, isso já é, em si, um fator de altíssimo risco ainda hoje (dos rednecks falamos outro dia).
A terceira e, ao meu ver, a mais esclarecedora, é a valorização (ou talvez o renascimento), do interesse em História. Já que a situação econômica do país remete aos anos (19)30 e a geopolítica aos (19)60/70, com o islã no lugar do socialismo, Obama não se furtou em mencionar, em seu discurso de posse, que "a História dos EUA nos servirá de exemplo" para enfrentar o que eles consideram os seus "desafios" mais urgentes (ou alguém acha que um gigante cai sem espernear?).
A História as vezes pode ajudar a mudar a si mesma. Se Hitler tivesse estudado mais a História da França não teria invadido a Rússia nas portas do inverno.
Vamos ver se, com Obama, os exemplos da História serão bem compreendidos e utilizados. E deixem o Kennedy na tumba.
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Você já foi à Gaza?
O pior inimigo de uma análise dialética do conflito entre israelenses e palestinos é o maniqueísmo. Ele mesmo, de quem os hebreus são os maiores expoentes, apesar de tê-lo aprendido com os persas. Afinal, todos sabem que, sob a acusação de deicídio, os judeus foram severamente perseguidos em todos os locais do mundo por onde se espalharam após a Diáspora imposta pelos romanos no ano 70. Antes ainda, no Egito ou na Babilônia, a sina dos hebreus sempre foi marginal e cruel, resultando no que Nietzsche denominou "rebelião escrava na moral" (assunto pra outra postagem). Sabemos também que o atual Estado de Israel foi criado de maneira unilateral pela ONU, após o holocausto da Alemanha nazista, ainda que a partilha de 1948 fosse muito mais justa do que a configuração atual do território, mas não tenha sido aceita pelos vizinhos árabes de Israel que, na época e pouco depois, prometerem "jogar os judeus no mar", e só não o fizeram devido ao apoio que França, Inglaterra e EUA deram aos israelenses. A reação dos árabes na época nos remete à outro ponto: Israel não tem o direito de existir? Penso que tem e sei que, se os árabes do Hamas tivessem metade do poder de Israel não encerrariam suas incursões militares antes de ver o último judeu dar seu último suspiro, e isso, parece que parte da opinião pública mundial não quer reconhecer.
Somado à esse instrínseco jogo geopolítico entra a questão da religião, já que parece que tanto Jeová quanto Aláh entendiam que Canaã pertencia aos "seus" e não se discute baseado na razão com pessoas movidas pelo fanatismo ou pela fé exacerbada e jihadista (cruzadista ou coisa que o valha).
Sendo assim, não parece ser possível, ao menos de maneira honesta, tomar partido de um lado ou de outro sem cometer injustiças, nem para aqueles que dedicaram sua vida ao estudo do Oriente Médio. Resta-nos lamentar as dores e perdas impostas à civis inocentes, de um lado e do outro.
O que se sabe com certeza é que a maior derrotada é a ONU que, após criar e defender por décadas Israel, hoje é ignorada pelo próprio "filho".
É por essas e por outras que Jim Morrison dizia que o "west is the best" e Churchill afirmava que a democracia é o "'menos pior' dos modelos até hoje experimentados".
Da minha parte, apesar de todos os defeitos e inconvenientes, agradeço todos os dias por viver no Ocidente.
Feliz 2009!
Somado à esse instrínseco jogo geopolítico entra a questão da religião, já que parece que tanto Jeová quanto Aláh entendiam que Canaã pertencia aos "seus" e não se discute baseado na razão com pessoas movidas pelo fanatismo ou pela fé exacerbada e jihadista (cruzadista ou coisa que o valha).
Sendo assim, não parece ser possível, ao menos de maneira honesta, tomar partido de um lado ou de outro sem cometer injustiças, nem para aqueles que dedicaram sua vida ao estudo do Oriente Médio. Resta-nos lamentar as dores e perdas impostas à civis inocentes, de um lado e do outro.
O que se sabe com certeza é que a maior derrotada é a ONU que, após criar e defender por décadas Israel, hoje é ignorada pelo próprio "filho".
É por essas e por outras que Jim Morrison dizia que o "west is the best" e Churchill afirmava que a democracia é o "'menos pior' dos modelos até hoje experimentados".
Da minha parte, apesar de todos os defeitos e inconvenientes, agradeço todos os dias por viver no Ocidente.
Feliz 2009!
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Socialismo real ou caixa de Skinner?
Segundo anedota popular no leste europeu em meados do século XX, dois comunistas estavam questionando, em uma das "internacionais", se Lênin era mais político ou mais cientista.
Já depois de muita discussão, questões de ordem e argumentações acaloradas, o camarada Rabinovitch, que acabara de chegar, pede a palavra e afirma, encerrando a conversa:
"Pra mim, está na cara que ele era político, afinal, se fosse cientista, teria testado antes em ratinhos brancos"!
Já depois de muita discussão, questões de ordem e argumentações acaloradas, o camarada Rabinovitch, que acabara de chegar, pede a palavra e afirma, encerrando a conversa:
"Pra mim, está na cara que ele era político, afinal, se fosse cientista, teria testado antes em ratinhos brancos"!
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Literatura e Niilismo
Não há maneira mais eficiente (se é que há alguma outra) de entender a natureza humana do que através da literatura (de qualidade).
Ao longo da História, uma série enorme de personagens "ficcionais" pontuam a literatura mundial com todas as dores e delícias da "anima", e com todos os segredos e disposições (pro mal e pro bem) dos humanos.
Nos últimos dois séculos, em virtude do inegável predomínio (mas não superioridade) cultural anglo-saxônico, massificaram-se personagens novelescos como Romeu, Rei Lear ou Hamlet que, com mais ou menos profundidade, retratam um ser humano que oscila entre o dócil e o hostil, sem contudo esmiuçar o que há de mais profundo no "subsolo" da alma, e na margem tanto dela quanto da própria sociedade, ou talvez da existência.
Nesse quesito, as melhores contribuições vem, não por acaso, do leste europeu.
Personagens como Rodion Romanovitch (Crime e Castigo - Dostoievski); Gregor Sansa (Metamorfose - Kafka); e a "dupla" Piotr Stiepanovitch (e seu pai Stiepan) e Nikolai Stravóguin (com a mãe, Varvara Petrovna), do perturbador "Os Demônios", de Dostoievski, e de outras obras precedentes (destaque para Almas Mortas, de Gógol), esmiuçam tudo aquilo que, na atualidade, os espelhos da moda não mostram, e a TV não deixa deduzir, mas que nem por isso deixou de estar presente na índole humana.
No caso da literatura brasileira, Brás Cubas é o niilista emérito, e talvez único, que jogou na cara da decadente aristocracia de seu tempo sua inutilidade e sua nova nomenclatura, os "homens supérfluos" (na designação de Turguêniev, sobre a mesma "casta", mas na Rússia).
Ao mesmo tempo, Brás Cubas também desmascara, ao lado dos já citados personagens russos, a superficialidade do "homem burguês" emergente e a tirania dos revolucionários radicais, os "Demônios" de Dostoievski, sementes geradoras dos famosos Hitler e Stálin.
Olhar pra dentro da alma humana, para o "subsolo" (de novo Dostoievski) é a forma mais honesta de evolução, afinal, não é sempre que se pode espantar os fantasmas simplesmente fechando os olhos.
Ao longo da História, uma série enorme de personagens "ficcionais" pontuam a literatura mundial com todas as dores e delícias da "anima", e com todos os segredos e disposições (pro mal e pro bem) dos humanos.
Nos últimos dois séculos, em virtude do inegável predomínio (mas não superioridade) cultural anglo-saxônico, massificaram-se personagens novelescos como Romeu, Rei Lear ou Hamlet que, com mais ou menos profundidade, retratam um ser humano que oscila entre o dócil e o hostil, sem contudo esmiuçar o que há de mais profundo no "subsolo" da alma, e na margem tanto dela quanto da própria sociedade, ou talvez da existência.
Nesse quesito, as melhores contribuições vem, não por acaso, do leste europeu.
Personagens como Rodion Romanovitch (Crime e Castigo - Dostoievski); Gregor Sansa (Metamorfose - Kafka); e a "dupla" Piotr Stiepanovitch (e seu pai Stiepan) e Nikolai Stravóguin (com a mãe, Varvara Petrovna), do perturbador "Os Demônios", de Dostoievski, e de outras obras precedentes (destaque para Almas Mortas, de Gógol), esmiuçam tudo aquilo que, na atualidade, os espelhos da moda não mostram, e a TV não deixa deduzir, mas que nem por isso deixou de estar presente na índole humana.
No caso da literatura brasileira, Brás Cubas é o niilista emérito, e talvez único, que jogou na cara da decadente aristocracia de seu tempo sua inutilidade e sua nova nomenclatura, os "homens supérfluos" (na designação de Turguêniev, sobre a mesma "casta", mas na Rússia).
Ao mesmo tempo, Brás Cubas também desmascara, ao lado dos já citados personagens russos, a superficialidade do "homem burguês" emergente e a tirania dos revolucionários radicais, os "Demônios" de Dostoievski, sementes geradoras dos famosos Hitler e Stálin.
Olhar pra dentro da alma humana, para o "subsolo" (de novo Dostoievski) é a forma mais honesta de evolução, afinal, não é sempre que se pode espantar os fantasmas simplesmente fechando os olhos.
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Múltiplas Consciências
Uma das mais importantes lições para a humanidade no século XX, ainda que não entendida por muitos, é que agregar e melhor que segregar.
Ao longo da História mais remota os sinais dessa lição foram se apresentando nos mais diferentes lugares e momentos, ainda que muitas vezes de maneira sutil.
No caso brasileiro, talvez um dos mais gritantes exemplos seja o da ocupação holandesa ao nordeste brasileiro no século XVII. Durante o domínio holandês, judeus, protestantes e estrangeiros não eram perseguidos e, sendo assim, vinham do mundo inteiro trazendo para cá seu capital e sua força de trabalho, o que proporcionou um dos mais frutíferos momentos na história desse importante estado brasileiro, nas áreas cultural, econômica e científica, sob o comando do conde Maurício de Nassau. Após a demissão de Nassau e a Insurreição Pernambucana, quando os portugueses voltaram ao poder em 1654 e reiniciaram a perseguição e a segregação aos considerados “diferentes”, a economia da região decaiu e, vale destacar, parte dos refugiados migrou para a América do Norte e fundou a cidade de Nova Amsterdã, atualmente conhecida como Nova Iorque.
Nos EUA, que acabaram de eleger Barack Hussein Obama presidente, quase todas as inovações tecnológicas, ainda que viabilizadas por capital norte-americano, são resultado de mentes brilhantes vindas dos mais diferentes cantos do mundo, Europa, América Latina, Ásia, África e Oceania, confirmando que, salvo exceções comentadas neste mesmo blog em outras postagens, os Estados Unidos são o mais universalista e cosmopolita país do mundo.
Um dos casos mais célebres é o de Albert Eisntein, cientista judeu perseguido na Alemanha nazista que, entre outras coisas, deu ao governo americano a base teórica para que, nos anos seguintes, o Projeto Manhattan desenvolvesse a bomba atômica e garantisse a vitória aliada na 2ª Guerra Mundial.
Voltando ao caso brasileiro, talvez poucos saibam, mas, até o início do século XX, os times de futebol do país não aceitavam negros em seus elencos. Tivesse continuado a segregação, e o Brasil e o mundo teriam perdido, entre outros grandes jogadores, um tal Edson Arantes do Nascimento, mais conhecido como Pelé.
Ao longo da História mais remota os sinais dessa lição foram se apresentando nos mais diferentes lugares e momentos, ainda que muitas vezes de maneira sutil.
No caso brasileiro, talvez um dos mais gritantes exemplos seja o da ocupação holandesa ao nordeste brasileiro no século XVII. Durante o domínio holandês, judeus, protestantes e estrangeiros não eram perseguidos e, sendo assim, vinham do mundo inteiro trazendo para cá seu capital e sua força de trabalho, o que proporcionou um dos mais frutíferos momentos na história desse importante estado brasileiro, nas áreas cultural, econômica e científica, sob o comando do conde Maurício de Nassau. Após a demissão de Nassau e a Insurreição Pernambucana, quando os portugueses voltaram ao poder em 1654 e reiniciaram a perseguição e a segregação aos considerados “diferentes”, a economia da região decaiu e, vale destacar, parte dos refugiados migrou para a América do Norte e fundou a cidade de Nova Amsterdã, atualmente conhecida como Nova Iorque.
Nos EUA, que acabaram de eleger Barack Hussein Obama presidente, quase todas as inovações tecnológicas, ainda que viabilizadas por capital norte-americano, são resultado de mentes brilhantes vindas dos mais diferentes cantos do mundo, Europa, América Latina, Ásia, África e Oceania, confirmando que, salvo exceções comentadas neste mesmo blog em outras postagens, os Estados Unidos são o mais universalista e cosmopolita país do mundo.
Um dos casos mais célebres é o de Albert Eisntein, cientista judeu perseguido na Alemanha nazista que, entre outras coisas, deu ao governo americano a base teórica para que, nos anos seguintes, o Projeto Manhattan desenvolvesse a bomba atômica e garantisse a vitória aliada na 2ª Guerra Mundial.
Voltando ao caso brasileiro, talvez poucos saibam, mas, até o início do século XX, os times de futebol do país não aceitavam negros em seus elencos. Tivesse continuado a segregação, e o Brasil e o mundo teriam perdido, entre outros grandes jogadores, um tal Edson Arantes do Nascimento, mais conhecido como Pelé.
terça-feira, 18 de novembro de 2008
After a Century, a Literary Reputation Finally Blooms
by Larry Rohter - 12/09/2008
When the novelist Joaquim Maria Machado de Assis died 100 years ago this month, his passing went little noticed outside his native Brazil. But in recent years he has been transformed from a fringe figure in the English-speaking world into a literary favorite and trendsetter, promoted by much more acclaimed writers and by critics as an unjustly neglected genius.
texto na íntegra : http://www.nytimes.com/2008/09/13/books/13mach.html?_r=1
When the novelist Joaquim Maria Machado de Assis died 100 years ago this month, his passing went little noticed outside his native Brazil. But in recent years he has been transformed from a fringe figure in the English-speaking world into a literary favorite and trendsetter, promoted by much more acclaimed writers and by critics as an unjustly neglected genius.
texto na íntegra : http://www.nytimes.com/2008/09/13/books/13mach.html?_r=1
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Fatos e Argumentos
1932 - decreto institui o voto secreto e o voto feminino, confirmados no código eleitoral de 1934;
1935 - capoeira é retirada da ilegalidade e oficializada como "esporte nacional";
1937 - samba sai da clandestinidade e passa a receber incentivos do governo;
1930 - 1937 - Governos provisório e constitucional de Getúlio Vargas.
1935 - capoeira é retirada da ilegalidade e oficializada como "esporte nacional";
1937 - samba sai da clandestinidade e passa a receber incentivos do governo;
1930 - 1937 - Governos provisório e constitucional de Getúlio Vargas.
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