quinta-feira, 10 de abril de 2008

Quem libertará o Tibete do... Tibete?

Apesar de concordar com Churchil, pra quem "a democracia é o menos pior dos modelos até hoje experimentados pela humanidade", acho no mínimo risível o envolvimento dos cidadãos de mentalidade média das democracias imperialistas ocidentais nas campanhas contra a China e a coitada da tocha olímipica, em "resposta" aos abusos contra os direitos humanos no Tibete.
Abuso aos direitos humanos tem na cadeia mais próxima de sua casa, e na favela do bairro vizinho. Abuh Graib também tinha, Guantánamo ainda tem.
Além disso, caso a China abra mão do Tibet, o que vai acontecer? O "guia profundo como o oceano", digo, o Dalai Lama, ou seja, a encarnação do "macaco primordial*" vai reassumir o poder, restabelecendo um regime despótico e teocrático em pleno século XXI? E com apoio da comunidade internacional??? Então tá.
Abaixo o fundamentalismo do Grande Guia! Viva o fundamentalismo do Supremo Macaco!

*No Tibete, o mito da criação não é Adão e Eva. Eles acreditam ser descendentes de um macaco deus que fez seis filhos em uma demônia. O Dalai Lama seria a manifestação carnal (não hereditária, devido ao celibato) desse macaco-deus. É claro que existe um "alto clero" pra decidir quem personificou o símio. Existe também, como em todo governo teocrático ou teocêntrico da História, uma nobreza dona de terras e uma massa enorme de servos.
Deixem que o Tibete tiranize a si próprio!

terça-feira, 1 de abril de 2008

República (15/11/1889 - 31/03/1964)

Após um breve período entre 1889 (Proclamação da República) e 1894, em que o Brasil foi governado por dois militares (Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto), o poder no país passou para as mãos de uma elite cafeicultora principalmente paulista e mineira que, através do clientelismo (troca de favores) e do coronelismo (imposição pela força), manteve-se no poder no Brasil, garantindo a permanência de uma estrutura latifundiária e ultrapassada, até semi-escravista, na economia nacional, na chamada República Oligárquica.
Porém, em 1930, com o apoio dos tenentes (setores descontentes do exército), o gaúcho Getúlio Dorneles Vargas, apoiado pela elite cultural modernista, tomou o poder no Brasil e deu início à era Vargas (1930 – 1945), na qual o país se modernizou, industrializou e urbanizou.
A era Vargas se divide em três fases:
1930 – 1934 (governo provisório / nesse período os cafeicultores tentaram voltar ao poder, em 1932).
1934 – 1937 (período constitucional)
1937 – 1945 (Estado Novo, no qual Getúlio fechou o Congresso e, graças a isso, construiu a base do parque industrial brasileiro e regulamentou as relações trabalhistas através da CLT).
Getúlio contou sempre com o apoio do PSD e do PTB (atual PDT), respectivamente, os partidos da classe média e dos operários, mas também contava com a oposição da UDN, braço político dos oligarcas na época.
Nessa época, havia no Brasil os nazistas (integralistas) e os socialistas (liderados por Luis Carlos Prestes), para completar o cenário político.
Em 1945, com o final da segunda guerra, o modelo estatizante de Getúlio Vargas entrou em crise, devido ao resultado da guerra, e Getúlio aceitou deixar o poder, desde que não perdesse seus direitos políticos.
Começa então o período populista.
Seguiu-se então o governo do general Eurico Gaspar Dutra (1946-1950) e, no país, a disputa política passou a ser entre nacionalistas, que queriam um país livre da dominação estrangeira, principalmente livre do recém formado FMI, e entreguistas, que queriam o Brasil inserido no contexto capitalista internacional. Getúlio era o maior nome nacionalista, Carlos Lacerda, presidente da UDN, era o maior nome dos entreguistas.
Em 1950, ao final do mandato de Dutra, as eleições deram vitória esmagadora ao candidato Getúlio Vargas, que nesse período criou a PETROBRAS, porém, em 1954, devido à tentativa de assassinato de Carlos Lacerda por um agente supostamente ligado ao segurança de Getúlio, Gregório Fortunato (Anjo Negro), a situação passou a se mostrar favorável à um golpe entreguista e Getúlio, em uma de suas maiores "vitórias" políticas, deu um tiro no próprio peito, em agosto de 1954, atrasando o golpe militar em 10 anos.
O povo tomou as ruas revoltado, quebrando jornais entreguistas e obrigando Lacerda a fugir do país por um tempo.
Após um breve período de transição, com os presidentes Carlos Luz, Café Filho e Nereu Ramos, ganha as eleições Juscelino Kubitschek (JK – 1955-1960), que visava aliar características nacionalistas a um relativo investimento estrangeiro, tudo regulado pelo Estado, e só não foi derrubado pela UDN devido ao seu forte apelo popular, ao enfraquecimento das oposições após o suicídio de Getúlio (JK era do mesmo grupo político de Vargas), e à propaganda em torno da construção da novacap (Brasília).
Em 1960 a UDN ganha, pela primeira vez, uma eleição para presidência da República, com Jânio Quadros que, estranhamente, rompe com seu partido e passa a pregar a “política externa independente”, ou seja, reata relações com os países comunistas e diz que o Brasil não têm, necessariamente, que se aliar a nenhum dos lados da Guerra-Fria. Jânio renunciou devido à “forças ocultas” com menos de um ano de mandato. Em seu lugar, assume o seu vice, ex-ministro do trabalho de Getúlio Vargas, o declaradamente socialista João Goulart. O Brasil viveu, por pressão da oposição, um parlamentarismo entre 1961 e 1963, para enfraquecer o presidente.
Porém, um plebiscito indicou que a imensa maioria dos eleitores queria a volta do presidencialismo, fortalecendo o “Jango”. A partir de então o presidente passou a propor profundas transformações para o país através das “reformas de base”.
Acusando-o de comunista, setores específicos da sociedade como a UDN, os latifundiários, parte da classe média e a ala conservadora da Igreja Católica, com apoio da ESG (Escola Superior de Guerra – antigo Clube Militar), promoveram o golpe que iniciou uma Ditadura Militar (1964-1985) responsável por inúmeros atos de desrespeito aos direitos civis e por torturar e matar milhares de brasileiros.
Só entre 1985 e 1989, com a eleição de um civil (Sarney) e as “Diretas” que elegeram Collor, o Brasil se redemocratizou.

segunda-feira, 31 de março de 2008

A História em Vídeo-Clipe

http://www.youtube.com/watch?v=FoNmNmXExZ8

Fique esperto

"Se ligue, caia fora" - Timothy Leary

Todas as vezes que a humanidade se desembestou feito rebanho atrás de uma idéia absoluta o caldo entornou. Como bem explicou Glauber Rocha, no seu "Deus e o Diabo na Terra do Sol", as pessoas parecem ter uma tendência natural a procurar a salvação em tudo o que é canto, menos em si mesmas.
Qualquer demagogo com um mínimo de informação e autoconfiança, capaz de escrever três linhas que digam exatamente o que a maioria das pessoas quer ouvir, consegue levar uma tribo inteira (ou muitas delas) no bico. Multidões inteiras se dipõem a se jogar, sem nem olhar, nos mais tenebrosos precipícios.
Em nome de uma suposta "verdade" se cometem linchamentos, massacres, genocídios. Ai daquele que ousar discordar.
Exemplos na História não faltam: Inquisição, Jihad, Holocausto, Eugenia...
Quando a "verdade" dispõe então de uma máquina de propaganda, esqueça a dissidência, "siga a matilha ou vá morrer sozinho".
Entre os adolescentes a tendência é mais explícita, mas também mais compreensível.
Quando o rapaz ou a garota estão formando sua personalidade, é natural que procurem referências a serem seguidas. Mas, depois de alguns anos, essa atitude se torna ridícula.

Não há resposta para quase nada em lugar algum, pelo menos sobre as coisas que realmente fazem a diferença. Você vai ter que buscar sua própria teoria e seu próprio caminho. É o único jeito de ser feliz.
Esqueça seu pai, pastor ou professor. Esqueça o Che, o Elvis ou o Raul. Esqueça Osama, Bush, Chávez... Assimile o que há de positivo em cada um deles (quando houver), construa sua identidade e siga seu caminho.
É a coisa mais digna que você pode fazer por si mesmo.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Nos olhos dos outros...

O país mais liberal do mundo (do ponto de vista econômico), aquele que foi o primeiro a implantar um modelo baseado no iluminismo, aquele que deixa milhões de pesssoas por ano sem atendimento médico, aquele do faroeste, do self-made-man, da livre iniciativa, do self-service, da junk-food, esse mesmo que você está pensando, é também o país que subsidia megacorporações e latifúndios, que promove guerras milionárias para ganhar dinheiro na indústria bélica e na energética, que isenta fortunas de impostos, que socorre bancos em momentos de falência, que anunciou recentemente um mega pacote para socorrer fundos de investimento imobiliário, ao mesmo tempo em que reduz gastos no "assistencialismo" e nos projetos sociais.
Sem dúvida é extremamente competitivo e competente, mas é esse o modelo que queremos?
Como diz o ditado: "Pimenta nos olhos dos outros é refresco".

PS: Só para efeito de comparação, o Canadá, vizinho menos rico e competitivo dos EUA, oferece todo e qualquer tratamento de saúde a custo zero para os seus cidadãos. A paupérrima Cuba também. O Brasil tem o SUS, que não é grande coisa mas está aí, à disposição do rico ou do pobre.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Cá e lá...

A renúncia do governador de NY, nos EUA, após a constatação de seus "programas" e dos custos dos mesmos dão uma clara demonstração das semelhanças e diferenças entre as democracias daqui e de lá.
A semelhança, ainda que em escalas diferentes, é que escândalos, assim como a corrupção - caso seja comprovado que as call-girls eram remuneradas com dinheiro público - não são exclusividade nem nossa, nem deles, e nenhum país do mundo está imune, como vários exemplos demonstram.
Por outro lado, a diferença mais explícita diz respeito à repercussão, já que o governador de NY renunciou ao cargo antes mesmo que se confirmassem qualquer das suspeitas mais graves, afinal, contratar garotas de programa pode arruinar um orçamento doméstico ou um casamento, além da "moral" do envolvido perante a sociedade (dependendo da sociedade), mas não significa necessariamente despreparo ou incompetência administrativa.
Aqui, nas paragens tropicais em que vivemos, o sujeito primeiro ia negar "peremptoriamente" qualquer caso com a referida garota. Em seguida, diante das evidências, ia afirmar que foram só alguns casos esporádicos e, após confirmada a quantia, no caso do exemplo, cerca de 80 mil dólares, o sujeito ia ser afastado do cargo sob homenagens dos colegas e acusações à "imprensa golpista" ou à "esquerda radical", dependendo da posição do envolvido.
Outra diferença, ainda que mais sutil, é que nessas terras patriarcais e rústicas, de sangue e cultura latina, o sujeito ia conquistar uma fatia muito peculiar de eleitores/admiradores, além da tal garota de programa assinar um contrato milionário para sair nua em uma revista masculina, com "exclusividade".
Fica difícil distinguir o "panis" do "circenses".

domingo, 9 de março de 2008

O Estado laico e as células-tronco

O adiamento da decisão sobre a regulamentação das pesquisas com células-tronco no Brasil, por parte do STF (Superior Tribunal Federal), por parte de um ministro vinculado aos interesses de grupos religiosos contrários à sua prática, após ter ficado clara a tendência de aprovação por parte dos demais ministros, demonstra mais uma vez a ingerência indevida dos grupos religiosos no Estado que, por princípio, desde os tempos do surgimento do ideal iluminista, que guia nossa organização política e consta inclusive das constituições das democracias liberais, é laico.
Ou seja:
Da mesma forma que, em nossa sociedade, ainda que existam exceções, é condenável qualquer tipo de ação contrária à liberdade religiosa, também é vetado aos grupos religiosos interferirem nos assuntos do Estado, inclusive no que se refere ao progresso da ciência, elemento tão incômodo aos religiosos em geral e aos fundamentalistas especificamente.
Isso se deve à um simples princípio: o Estado é para todos, enquanto que a religião cabe às escolhas individuais de cada um.
Sendo assim é permitido aos seguidores das mais diferentes religiões e seitas praticar os seus respectivos valores religiosos, abrindo mão do aborto, do uso de camisinha ou da prática da transfusão de sangue. Mas não é permitido à esses seguidores, pelo menos nos Estados modernos e democráticos, interferir nas escolhas individuais e nas políticas públicas que se referem aos demais, ou seja, aos que não seguem sua visão doutrinária.

República Verde-Oliva

Na hipótese de que o anseio da parcela mais radicalmente à direita da sociedade brasileira seja atendido, não seria a primeira vez que u...